segunda-feira, 27 de março de 2017

10 km

Ontem foi dia da Corrida da Cidade de Aveiro. Já tinha tido conhecimento desta prova há algum tempo mas apenas formalizei a inscrição na quinta-feira.

No sábado achei que me ia arrepender de me ter inscrito. Choveu o dia inteiro... e eu já me estava a ver a fazer a prova à chuva ou, simplesmente, a nem sair de casa e dar o dinheiro como perdido.

No entanto, acordei no domingo e o tempo estava aberto.
Tomei pequeno-almoço reforçado e tratei de tudo para sair de casa. Antes das 11h00 estava na zona de partida.

11h00 e dá a ordem de partida.
Logo nos primeiros metros havia uma zona de subida. Motivada pelo pessoal que me rodeava, meti o turbo... mas rapidamente fui para o meu ritmo habitual (pouco mais de 8hm/h). Logo no primeiro km comecei a "comer pó"... toda a gente me ultrapassou. Não me admirou. Aliás, até era algo que já estava à espera.
A última corrida de 10km que tinha feito tinha demorado 1h18 e o último classificado desta corrida no ano passado fez 1h17.

Não estava era à espera que me começasse a doer os tornozelos. Ainda não tinha completado 2km e já estava aflita e a questionar se seria capaz de chegar ao fim dos 10km.

Entre os 3 e os 4km, numa altura em que tinha abrandado e estava convicta que ia desistir aos 6km (por razões logísticas era o momento ideal para desistir), fui ultrapassada por um homem. Esse homem era alto (eu diria que tinha cerca de 1.90m), não era propriamente gordo mas via-se que era uma pessoa com mobilidade muito reduzida. Corria com esforço, tinha uma passada pequena e os pés numa posição completamente tortos... mas ia a um ritmo certo e sem hesitar (e foi assim o resto da corrida).
Olhei para aquela figura, pensei no esforço que ele estaria a passar, no quanto ele deve ter superado para estar ali... e pensei em mim, como eu estava a ser egoísta e fraca por pensar em desistir. Foi nesse momento que decidi que podia até chegar ao fim de gatas... mas ia acabar a prova. Nunca mais pensei em desistir.

Quase a chegar à marca dos 5km, fui ultrapassada por um homem alto, muito magro e com uma velocidade estonteante... o meu pensamento imediato foi "mas este gajo vai a esta velocidade aqui atrás????". No segundo seguinte percebi que tinha sido ultrapassada pelo 2º classificado da prova (até chegar a casa e ver as fotos do evento estava convicta que devia ser o 1º).

O resto da prova não foi pacifico. Mas a figura daquele homem em esforço mas a ritmo certo motivava-me para seguir em frente.

Fui abordada por uma senhora que me disse "oh menina, já vai atrasada!" ao que respondi "não! ainda vou muito a tempo".
Apercebi-me que um policia perguntou à ambulância se eu era a última... não, ainda havia uns quantos atrás de mim.
Entre os 7 e os 8km, abrandei o passo quando passei numa zona onde havia um voluntário... disse-me logo "não desista!" e respondi-lhe que "não" afinal apenas estava a recuperar o fôlego.
Não sei o que me passou pela cabeça mas ao passar a marca os 8km comecei a cantar e a dançar "já só faltam 2, vamos!" (é oficial, sou tolinha!).

Na marca dos 9km deixei de ver o "meu" homem motivador (deve ter aumentado o ritmo) mas ali eu já não precisava dele para chegar ao fim. Eu própria aumentei o ritmo mas não o mantive durante muito tempo.
Quase a chegar à meta ultrapassa-me uma rapariga que foi atrás de mim a corrida toda (ela fazia parte de uma equipa e nitidamente um dos companheiros foi buscá-la lá atrás). Pensei "naaaaaaaaaaaa, não vais acabar primeiro que eu". Arranjei forças nem sei muito bem onde e corri até à meta. Passei a linha de meta aos 1h10:34.
Tirei 15 min ao tempo da S. Silvestre do Porto (que fui sem preparação nenhuma) e 8 min à última corrida de 10km que tinha feito (há quase 1 mês atrás).

Passo a meta e começa a chover.... :D
Correu bem, aliás correu muito bem! ;)



domingo, 19 de março de 2017

Brandos costumes

Somos o país dos brandos costumes. Do passa a mão na cabeça que para a próxima já terá aprendido.
O problema é que a aprendizagem não chega e passamos a vida nisto.

Ou melhor, o problema acaba por ser meu que fico irritada com este comportamento tão português de passar a mão na cabeça. Posso tentar mudar o sistema mas quem me rodeia parece não perceber que só está a perpetuar comportamentos indesejaveis e a criticada, invariavelmente, sou eu.

Acabo por ser um D. Quixote a lutar contra os moinhos de vento. Ainda por cima nem tenho Sancho Pança para me acompanhar nesta cruzada.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Eles (e elas) andam aí!

Associamos a palavra psicopata maioritariamente aos assassinos em série mas a verdade é que, se pensarmos bem, as características que lhes identificamos podem não levar a esse extremo.
Se reflectirmos sobre o assunto, sendo um psicopata uma pessoa calculista e fria, essa pessoa vai ser capaz de manipular os outros e os seus comportamentos para simular relações com quem os rodeia. Muito mais facilmente do que quem não possui essas características.

Ao ler este artigo compreendi uma série de coisas que se passaram na minha vida há muito pouco tempo. Eu sabia que havia algo de errado ali mas não lhe conseguia dar um nome.... agora consigo!
Se forem ler o quadro onde são elencados os "10 sinais de que o seu parceiro/a pode ser um psicopata", eu consigo identificar 8 na pessoa em questão.

Eu, que sou aquela pessoa que toma decisões e segue em frente, após 5 meses a lidar com esta pessoa... percebi que não queria estar ali. Andei mais 6 meses a tentar livrar-me daquela malha!!!! Sim, eu demorei mais a conseguir sair do que a concretizar que aquilo não era para mim!

Quem me conhece e sabia da situação não conseguia compreender o que se passava. Raios! Nem eu conseguia compreender o que se passava.

Óbvio que isto é uma espécie de diagnóstico daqueles caseiros que não vale de nada... mas pelo menos serve para eu ficar com a mente um pouco mais descansada. Primeiro porque "aquilo" não tinha a ver comigo, segundo porque me consegui livrar!

Espero nunca mais encontrar ninguém assim.... Acho que já tive a minha dose!