segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Da "corrida" e das coincidências....

Como escrevi no post anterior, várias pessoas já me falaram da vantagem terapêutica que tem este tipo de exercício. Basicamente o que me dizem é que durante o tempo que passas a exercitar acabas por ir colocando ideias em ordem já que, por norma, este é um exercício solitário (e mesmo quando vais acompanhado nem sempre dá jeito ires em modo de conversa).

Poderia dizer que sinto isso quando vou fazer as minhas caminhadas e o A. vai correr. Mas a verdade é que isso não acontece. Coloco a minha música (ou não, depende da disposição) e vou organizando mentalmente tarefas diárias. Por norma a minha mente não vagueia por questões mais profundas.

Mas ontem foi diferente... não só porque fui "correr" mas porque houve outras coincidências.

A verdade é que no dia 18.12 do ano passado ocorreu um acontecimento menos bom na minha vida. Algo que, de certeza, o tempo vai fazer com que eu me esqueça da data em concreto mas nunca me irei esquecer do acontecimento em si. Pura e simplesmente é algo demasiado marcante.

Quando me inscrevi na prova não me lembrei que nesse dia fazia 1 ano. Mais tarde associei mas coloquei esse facto numa caixinha e arrumei-a bem lá no fundo da minha memória. Não lhe queria mexer.

Em casa vi o percurso da prova.
Minutos antes de começar, o A. mostrou-me o percurso de forma interactiva (e até percebi que não era exactamente como a ideia com que eu tinha ficado).
Pois mesmo assim eu não vi aquilo que iria ser doloroso psicologicamente. Foi como se a minha mente não quisesse ver o que eu iria enfrentar ao fazer a prova: eu ia passar mesmo em frente ao local onde esse acontecimento ocorreu.

Enquanto estava a fazer a prova, começo a perceber que vamos passar nas imediações do referido local. Aí vieram as lembranças à tona do meu pensamento. De certa forma revivi o momento que passei há 1 ano atrás. Os sentimentos que me assolaram há 1 ano vieram ao de cima. Fui tentando gerir o turbilhão em que foi ficando a minha cabeça com o aproximar do local.
Até que me apercebo que não íamos só passar junto ao local... o trajecto passava mesmo em frente desse sítio. Quando entrei naquela rua senti um nó a formar-se na garganta e as lágrimas a crescerem nos olhos. Pensei que não ia aguentar e que iria chorar desalmadamente enquanto corria.
Afinal tal não aconteceu. O trajecto passava mesmo em frente ao referido sitio mas nesse ponto fazíamos uma mudança de direcção, colocando o edifício nas minhas costas.
Aí corri... não vou dizer que foi com todas as minhas forças... mas foi com toda a vontade que consegui. As lágrimas ficaram contidas e senti que talvez esta tenha sido uma forma de colocar o referido acontecimento no passado.

Foi terapêutico? Foi. Não só pelo acto de correr como pela minha superação física e psicológica. No fundo foi uma coincidência que serviu o seu propósito.

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