quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

[sem título]

Ao ouvir os sons da cidade deixo que o meu pensamento vagueie pelas sombras que as árvores traçam na relva. Deixo o meu corpo sentir o picar da relva e olho o céu azul.
Estou em estado de graça com a natureza que me rodeia e que se encontra rodeada pela cidade que tanto adoro.
Os meus sentidos estagnam por momentos. Percebo que o riso das crianças me contagia e eu própria sorrio.
Sorrio porque a vida me sorri... Sorrio porque o céu é azul e os pássaros chilreiam... Sorrio porque estou viva e o meu corpo reage aos estímulos que me envolvem.

Levanto o corpo, saio do torpor de sentidos em que me deixei envolver e olho a paisagem que me rodeia. Vejo o rio que tanto me encanta e o outro lado da margem que tanta dor me trouxe.
Não vou negar que a paisagem que se encontra à minha frente tem a sua beleza muito própria, não vou negar que essa beleza me atrai.... mas essa mesma paisagem está associada à dor que sinto à flor da pele, à dor que queima e fere todos os dias, a todas as horas.

Faço de tudo para voltar ao estado "dormente"... onde as feridas não doem e eu estou concentrada em mim mesma. Mas esse estado é difícil de atingir, principalmente quando tenho os olhos presos no outro lado da margem.
Tento concentrar-me no silêncio dos casais enamorados que me rodeiam... porque estes não sabem o que é a dor do amor. E até pode ser que nunca venham a descobrir.

Deito-me novamente na relva. Sinto-a em todo o meu corpo e torno a olhar o céu azul... essa é a imagem que me faz esquecer (nem que seja por meros momentos) que a outra margem existe. Talvez seja aí que está a solução para a inquietude que assalta a alma e me mói o corpo.

Pode ser que um dia eu consiga focar a minha mente apenas no que me apazigua a alma e não no que me tortura. Quem sabe se esse dia não está mais perto do que aquilo que julgo possível.

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