segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Das praxes

Este tema é recorrente neste rectângulo à beira mar plantado.

Confesso que, normalmente, me mantenho calada. Já ouvi vezes demais o tradicional "levaste uma lavagem cerebral", "o que contas não existe em lado nenhum", "até podia ser assim no teu tempo mas agora as coisas são diferentes". Por isso, prefiro manter-me calada a dar o meu testemunho positivo sobre esta prática.

Há sempre reportagens de jornalistas que se infiltram e contam histórias que nem lembram ao diabo.

Mas hoje, hoje fiquei feliz ao ler uma crónica escrita no Público em Outubro do ano passado. Nela é descrita a experiência de uma jornalista que se infiltrou na praxe de Electro da FEUP... e descreveu exactamente aquilo que eu me lembro.
Acabei por comentá-la assim no meu perfil de FB:

Eu sei que a praxe, por esse país fora, não tem as melhores premissas. Eu sei que há muitas faculdades onde as práticas são terríveis (mesmo dentro da UP). Onde o caloiro tem de praticar actos inconcebíveis que põem em causa a sua dignidade humana. Eu sei tudo isso porque tenho relatos de quem viveu isso na 1ª pessoa (e tiveram o discernimento de colocar um BASTA nessas situações). 

Mas para mim a praxe é exactamente o que vem descrito nesta crónica. Acima de tudo é respeito! É ensinar a ir às aulas, é emprestar apontamentos, é "brincar" com seriedade e respeito tanto pelos caloiros como pelos "doutores". 

Por isso tenho orgulho na "minha" FEUP e tenho orgulho em ser de Química. E só posso ficar feliz por perceber que a praxe na minha faculdade não mudou. 
(ainda hoje guardo o meu diploma de caloira, as t-shirts que me identificavam como sendo da FEUP e de Química, as minhas insígnias e a cartola e a bengala) 

E já agora, só para rematar, há gente que fala em fazer da praxe ilegal (precisamente porque mistura no mesmo saco o mau com o bom) dizendo que nos sítios onde há camaradagem ela se vai manter. 
Não concordo! Acho que nos sítios onde ela existe, vai-se perder porque os mais velhos não vão fazer esse esforço de contacto com os mais novos para não serem acusados de estarem a praxar.
Na minha opinião devia-se sim unir as academias do país e chegar a um consenso único sobre as práticas da praxe... punindo quem não as cumprisse. Mas pronto, isto é só uma opinião!

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