domingo, 13 de outubro de 2013

O mundo é assim? Eu não quero viver num mundo assim!

Acabada de aterrar de uma viagem extraordinária, vou tomar um banho rápido, aquecer o estômago com comida caseira e saio para ir "dar duas de letra".

Quando me vejo fora de casa, ao virar a esquina para uma rua mais movimentada (e ainda agarrada ao telemóvel), vejo alguém caído no chão perto do semáforo a 2 ou 3 metros de mim.
Ao aproximar-me percebo que se trata de um senhor de alguma idade, de raça negra, visivelmente debilitado. Do outro lado da rua vejo duas pessoas que se encontram a gesticular e, momentaneamente, parece-me que será no sentido de ajudar a pessoa que ainda se encontra no chão.
Aproximo-me e pergunto-lhe "o senhor está bem? precisa de ajuda?". Responde-me que sim, que está bem. E aponta para um saco de plástico que, só nesse momento reparo, encontra-se aos meus pés. Pego nele e aproximo-me do senhor.
Também nesse momento percebo que as pessoas que se encontravam no outro lado da rua apenas estavam na sua vida e não quiseram nem saber se a pessoa que caiu ao chão (na sua frente) se magoou.

Insisto com o senhor "quer que chame alguém?".
Entretanto aproxima-se um rapaz.
De forma expedita, ajuda o senhor a levantar-se (fiquei admirada por o ter permitido). Ambos insistimos com o senhor se queria que chamássemos alguém. Acabou por nos responder que morava uns metros mais à frente (na direção para onde eu seguia).

Dei-lhe  para a mão o saco de plástico (que percebi transportar um tacho de metal provavelmente com o jantar que foi buscar ao restaurante da redondeza).

O senhor seguiu a sua vida e eu e o rapaz ficamos a olhar para ele a atravessar a rua.
O rapaz só me disse "estou com receio que venha a ser atropelado". Eu respondi "eu vou atrás dele para me certificar que não lhe acontece nada, também ia nessa direção".
Despedimo-nos sem sequer sabermos o nome um do outro. Aliás, acho que nem o rosto lhe irei alguma vez reconhecer.

Nestes minutos não contabilizei as pessoas ou carros que passaram por nós mas mais ninguém teve a vontade de ajudar uma pessoa visivelmente debilitada que se encontrava no meio da rua!
É esta a sociedade em que vivemos.... eu sei disso! Mas não consigo deixar de ficar triste ao ver estas coisas à minha frente!

Como é possível não dar a mão a quem está estendido na rua? E no dia em que formos nós? Não podemos esperar que alguém nos ajude num momento de necessidade?

Não! Eu não quero viver num mundo assim!!!

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