sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Ocupas-me. Incapacitas-me de mim. A tua voz no meu ouvido. Faltas-me.

Não recordo o que não se sente. Olhei-te a sair. A porta bateu, as costas viraram. Mas não recordo o que não se sente. Acabar um amor é acabar quem ama. Um amor não acaba. Um amor acabado é um coma estático. Anos a fio a tentar enganar a vida. Anos a fio a tentar enganar a morte. Deixar de amar é um instante de ilusão. É o teu corpo que, todos os dias, a sós na escuridão do quarto, continuo a amar. Nem que seja outra mulher, nem que seja outro suor. É o teu corpo que, todos os dias, a sós na escuridão do quarto, continuo a amar. A sombra dos teus olhos. Como se me soubesses por detrás da pele. Sabes-me.

Sou-te. A geometria perfeita das tuas sobrancelhas. Como se te quisessem proteger do que vês. Dependo-te.

Abandonar quem nos ama é a melhor forma de eternizar um amor.

Pedro Chagas Freitas
Fábrica de Escrita

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