domingo, 30 de dezembro de 2012

Lágrima

Lágrima matreira e silenciosa que te molha a face sem te dares conta.
Lágrima que não reconheces como tua, que deserdas à partida por achares que não faz parte do teu ser.

Mas faz!

Essa lágrima tem vestígios de ti. Essa lágrima representa tudo o que viveste, vives e viverás. Essa lágrima é tua e de mais ninguém.

Olhas à volta e tudo é árido. Apenas a tua lágrima tem o poder de conferir beleza ao teu mundo. E por isso deixa-la escorrer.

Mas qual a sua origem?
O que levou a que o teu corpo criasse uma lágrima redonda, transparente e perfeita?
Procuras a resposta dentro de ti mesma e percebes que a lágrima é o teu próprio renascer. A tua busca incessante que, até àquele momento, não havias encontrado.

Deixa-la escorrer. Deixas que a lágrima molhe o teu corpo e que, por fim, toque a terra por baixo dos teus pés.
Olhas à volta novamente. Aí percebes que, afinal, não estás sozinha. Que tens quem te ame e te dê a mão. Que tens quem te acarinhe. Conhecidos e desconhecidos. Parentes e amigos.

Como foi possível cegares durante tanto tempo? Como foi possível olhares à tua volta e não veres ninguém... e só quando olhaste para dentro de ti mesma é que viste os outros?

É um contra-senso!, pensas tu.
Mas não é... só depois de te conheceres a ti mesma é que podes conhecer quem te rodeia.
Só depois de veres o teu interior é que te verás a ti própria nos olhos dos outros. E só aí perceberás o quão bela te tornaste e o quão importante és!

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